KAFFRA

De onde vêm os 10% por hora que a equipe de 44 horas vai precisar?

Redução da jornada de trabalho e produtividade: pôr 44 horas em 40 pede 10% a mais por hora. A produtividade por hora do país subiu 3,7% em 6,5 anos (FGV).

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A equipe de um escritório de contabilidade foi contratada para 44 horas semanais, e a carteira de clientes manda documento no mesmo ritmo o ano inteiro. Em dezembro de 2027, essas pessoas passam a trabalhar 40 horas. A carteira continua do mesmo tamanho, e o prazo de cada guia também.

O sócio faz a conta numa linha da planilha. Para uma equipe de 44 horas entregar em 40 o que cabia em 44, com as mesmas pessoas, o mesmo volume e sem hora extra, cada hora precisa render 10% a mais: 44 dividido por 40 dá 1,10. A conta é nossa, feita sobre o texto da Emenda Constitucional 141, e o escritório é um exemplo.

O país, pela medida do FGV IBRE, levou seis anos e meio, do fim de 2019 ao segundo trimestre de 2026, para subir 3,7% na produtividade por hora habitual. Se a empresa quiser manter a entrega com a mesma equipe, os 10% precisam aparecer na etapa das 40 horas, a de dezembro de 2027. A gente procura primeiro no processo.

A emenda do fim da escala 6x1, em duas datas

Promulgada em 16 de outubro de 2026, a Emenda Constitucional 141 baixa o limite da semana de trabalho de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado por semana e proíbe reduzir salário, inclusive nos pisos.

Quando entra em vigor a redução da jornada de trabalho?

A redução chega em duas etapas. A partir de dezembro de 2026, o limite cai para 42 horas por semana e entram os dois dias de descanso. Um ano depois, em dezembro de 2027, desce a 40. A emenda conta os prazos a partir da publicação, e a data exata de cada etapa, assim como as regras de escala, folga e compensação, é assunto do advogado ou do contador da empresa.

Como funciona a redução da jornada de trabalho?

O salário fica e as horas diminuem. Para uma equipe de 44 horas, isso vira duas contas nossas sobre o texto da emenda. Na etapa de 42 horas, cada hora precisa render 4,8% a mais para entregar o mesmo (44 dividido por 42). Na de 40 horas, 10% a mais. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) faz a mesma divisão pelo lado do custo, numa nota técnica de fevereiro de 2026: para quem fazia 44 horas e passa a 40 com o mesmo salário, o custo da hora trabalhada sobe 10%.

A conta vale para a equipe de 44 horas. Pela própria emenda, a equipe que já trabalha 40 horas ou menos não tem redução proporcional. Nos serviços, a semana de 44 horas cobre só uma parte das pessoas: no terceiro trimestre de 2024, cerca de 37,6% dos trabalhadores do setor ocupavam vagas de 44 horas semanais, pelas contas do FGV IBRE com dados da PNAD Contínua, do IBGE. Numa mesma empresa, a recepção pode ter contrato de 44 horas e a equipe técnica, de 40.

O ritmo do país, como régua

O Observatório da Produtividade do FGV IBRE acompanha quanto o país produz por hora de trabalho. No boletim de setembro de 2026, a produtividade por hora habitual do segundo trimestre de 2026 aparece 3,7% acima da registrada no quarto trimestre de 2019, antes da pandemia. Nos serviços, a mesma medida caiu 0,4% em 2025.

A média nacional junta agropecuária, indústria e serviços e não descreve nenhuma empresa. Ela dá o tamanho do pedido: os 10% por hora da equipe de 44 horas equivalem, na nossa conta, a quase três vezes o que o país subiu em seis anos e meio. Na leitura da casa, um ganho desse tamanho pede mudança na rotina, e mais esforço dentro da rotina atual fica longe dele. O lado do custo, setor por setor, está em por que o Ipea vê o fim da 6x1 pesar mais no serviço.

Como calcular a produtividade por hora trabalhada?

Na empresa de serviço, a conta divide a entrega que o cliente reconhece pelas horas que a equipe gastou naquele processo. Num escritório contábil, a entrega pode ser o documento lançado ou a guia emitida; numa clínica, o atendimento concluído; num escritório de engenharia, o laudo entregue.

Um exemplo de conta: a equipe lança 600 documentos num mês e gasta 300 horas nesse processo. São 2 documentos por hora. Com a semana de 40 horas, as mesmas pessoas têm cerca de 273 horas no mês para o mesmo processo, e os 600 documentos pedem 2,2 por hora, os 10% da conta.

Conte também o que volta. O documento lançado e corrigido depois aparece duas vezes nas horas e uma vez na entrega, e puxa a conta para baixo.

Por que a hora trava

No escritório do exemplo, a hora some em tarefas que a equipe não escolheu: digitar no sistema o que já veio escrito num PDF, lançar o mesmo valor no sistema fiscal e na planilha do cliente, esperar o sócio aprovar o que segue o padrão.

A pessoa que redigita o documento faz o que o processo pede. A regra de conferência mora na cabeça de quem confere, o dado não passa sozinho de um sistema para o outro e a aprovação de rotina espera porque nenhuma alçada está escrita. Nessas cenas, a hora que falta está na espera e na repetição, e a equipe controla pouco das duas.

A empresa tem outros caminhos, e o Ipea lista vários na mesma nota: trabalhar menos horas no total, investindo em produtividade ou produzindo menos; ou manter a produção, contratando gente e aceitando margem menor ou preço maior. A nota cita também a hora extra, que a Constituição remunera com adicional mínimo de 50%. As regras e o custo de cada caminho passam pelo contador e pelo advogado. A Kaffra trabalha no investimento em produtividade: achar no processo as horas que vão para espera e repetição.

O que muda quando a regra anda sozinha

A equipe recupera horas quando alguém escreve a regra que mora na cabeça de quem confere. Com a regra no papel, o sistema aplica o padrão e a pessoa recebe só a exceção: o valor fora do esperado, o fornecedor novo, o documento em duplicidade.

Um dos exemplos do catálogo da Kaffra, documentos lidos e lançados, trata da primeira tarefa da lista, a do PDF redigitado. No desenho do exemplo, o sistema lê o documento, confere contra as regras do escritório, lança o que passou e separa o resto para uma pessoa decidir.

O catálogo mede esse processo em documentos lançados por hora, taxa de erro por lote e tempo de conferência. A primeira medida é a conta de produtividade por hora aplicada a um processo só, e o escritório descobre quanto dos 10% sai dali medindo antes e depois.

A hora que falta, processo por processo

  1. Separe quem foi contratado para 44 horas. Com o contador ou com quem cuida da folha, agrupe as pessoas pela carga contratada. A conta dos 10% vale para esses contratos; quem já fazia 40 fica fora dela.
  2. Escolha um processo com volume. Prefira aquele em que a mesma tarefa se repete muitas vezes por semana, como lançamento, emissão ou agendamento, e chame para a conversa quem executa e quem decide.
  3. Meça a entrega por hora durante algumas semanas. Divida as entregas concluídas pelas horas da equipe naquele processo e anote quantas vezes o trabalho voltou. O dono aceita esse número por escrito, e ele vira a linha de base. No fechamento do mês, a mesma regra aparece em os dois números para medir antes de mudar o processo.
  4. Marque onde a hora some. Nas mesmas semanas, cada pessoa anota quando parou esperando documento, resposta ou aprovação, e quando digitou o que já existia em outro lugar.
  5. Separe regra de decisão. Do que se repete, marque o que segue um padrão que dá para escrever e o que pede julgamento. O primeiro grupo pode andar sozinho; o segundo fica com quem decide.
  6. Refaça a conta em cada etapa. A mesma medida, tirada depois de dezembro de 2026 e depois de dezembro de 2027, mostra se o processo acompanhou a semana menor.

Para descobrir quanto dos 10% está no processo de maior volume, leve a lista de contratos e as semanas de anotação a uma reunião gratuita com a Kaffra.

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